sábado, 12 de dezembro de 2015

Desfechos nada clichês- Parte I

 E então eu abri meus olhos naquela manhã cinza de dezembro que era pra ser um dia de verdadeiras comemorações e festividades, mas não. Aquela data sempre teria um peso sombrio na minha vida.
 Doze de dezembro de 1979 eu resolvi vir ao mundo, cresci em uma família normal, minha mãe e meu pai conservadores e rigorosos e meus irmãos que naquela época doce de infância eram minha alegria. O tempo passou e eu cresci de certa forma incompreendida por ser uma pessoa imperativa e totalmente espontânea, tudo que me mandavam fazer, eu fazia o oposto.
 Numa certa tarde de setembro de 1997, minha mãe me fez levar uns salgados na casa de uma tia, mas algo na rua chamou minha atenção, um Chevet cor de tomate, eu era apaixonada por carros e amava aquela cor, então eu parei e olhei para o carro, mas lá de dentro saiu um homem que tinha aparentemente a idade de meu pai e começamos a conversar, aquela conversa que me pareceu durar apenas alguns poucos minutos durou horas, mais de cinco horas pra ser mais específica, eu sabia que estava sujeita a levar uma bela de uma surra quando chegasse em casa mas eu amava conversar com as pessoas. Aos poucos eu percebi que aquele homem só tinha o corpo avançado mas sua mentalidade era de alguém com míseros 17 anos.
 Os dias se passaram e depois da surra que levei de minha mãe eu não conseguia para de pensar naquele homem. Mas incrivelmente, uma semana depois, eu vi o mesmo carro cor de tomate na porta do colégio, naquele momento me veio à cabeça "Ele deve ser pai de alguém", como eu estava enganada... Ele simplesmente se declarou pra mim, disse que desde aquele dia não conseguia mais parar de pensar em mim, e que se preciso fosse ele se mudaria de São Paulo, abandonaria emprego e o que fosse para estar ao meu lado, porém, ele se esqueceu que eu era menor de idade e me beijou, decididamente eu senti algo que eu nunca havia sentido antes na vida. Eu senti amor.
 Naquele dia cheguei em casa por volta de 13h e mais uma vez apanhei, e apanhei muito mais quando eu disse que estava namorando um cara 33 anos mais velho (ele era mais velho que meu pai).
 Eu estava namorando, eu estava amando aquele homem como eu jamais imaginei que fosse capaz de amar alguém. O ano novo chegou e ele não pôde vir, nós nos correspondíamos por cartas, e em uma delas ele me acusava de traição! Como pôde? Eu havia passado a virada do ano (como de costume) meus primos e primas vendo a queima dos fogos na praça, como eu poderia tê-lo traído? Eu respondi aquela carta aos prantos, explicando a verdadeira história, não obtive resposta. Fui tomada por uma onda de tristeza que me consumia por inteira, todos os dias eu ia na casa da tia dele (onde ele sempre ficava quando vinha pra cá) pra saber notícias, então no dia 30 de janeiro eu fui até lá novamente e lá estava o Chevet vermelho. Senti meu coração saltar de alegria e naquele momento eu o gritei na rua e ele apareceu na janela. Nós conversamos e ele me pediu desculpas por todas as acusações e me fez um convite inusitado "Já que sua família não aceita nosso namoro e você acabou de fazer 18 anos, topa ir embora comigo?" naquele momento eu estava tomada pela maior felicidade de todas " Que dia você vai?" Ele sorriu e me beijou, estava tudo programado, ele iria embora no domingo dia 1 de fevereiro e eu iria junto.
 Não sei como, mas minha mãe desconfiou e me levou pra fazer pamonha na roça de uma irmã do meu pai. Ninguém sabe o que é descascar 800 espigas de milho chorando, quando fui ver a hora, ele já tinha ido, 19h eu havia perdido o amor da minha vida.
 Eu estava decidida a nunca mais sair do quarto mas minha mãe me gritou de manhãzinha "Levanta dessa cama, para de drama, pega sua certidão de nascimento e vá para a escola AGORA" relutante eu fiz o que ela mandou. Quando cheguei no colégio, o prédio estava fechado, então decidi ir visitar minha madrinha que provavelmente teria acordado com o cantar o galo. Quando eu pisei na avenida eu não pude acreditar no que vi, lá estava o tomatinho na porta da padaria e eu estava com a minha certidão em mãos...

2 comentários:

  1. oi amanda o seu texto está muito bem elaborado continue escrevendo. Parabéns qualquer duvida me pergunte.
    obs> corrija o menor de idade , está escrito menos :) Parabéns

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    1. Ok, obrigada professor! E pergunto sim. Abraço

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